Instrumentos feitos de lixo mudam a vida de uma comunidade no Paraguai

A cidade de Cateura é formada por famílias que sobrevivem das 1500 toneladas de lixo despejadas nos arredores do Rio Paraguai todos os dias. Construída em cima de um aterro sanitário, a estrutura econômica da região consiste na seleção, reciclagem e venda desses resíduos pelos moradores.

Mesmo com a situação insalubre de viver em um aterro, o músico Favio Chávez encontrou uma maneira de colorir a vida das pessoas de Cateura e de achar um novo destino para o lixo: através da música.

Para conseguir dar suas aulas de música ao maior número de pessoas possível, Favio passou a construir violinos, flautas e violoncelos a partir dos resíduos deixados em Cautera. Foi assim que surgiu The Recycled Orchestra e o documentário Landfill Harmonic, que mostra como os materiais reciclados podem ser transformados em belos instrumentos musicais e quais são os impactos da orquestra na vida da comunidade.

Imagem: Divulgação

Sonidos de la Tierra

Um maestro famoso, uma cidade pobre e muitos meninos carentes. Nosso parceiro eCycle nos apresenta o projeto social “Sons da Terra”. Confira:

O projeto “Sons da Terra” existe desde 2002 e é dirigido a crianças e jovens de mais de 72 comunidades carentes do interior do Paraguai. Seu idealizador é o maestro Luis Szarán, que escolheu mostrar, através da educação musical, uma maneira de construir uma história de vida e proporcionar atividades educativas e saudáveis para a população carente de seu país.

Szarán é um autodidata, assim como a maioria dos seus colegas de pátria. Isso se deu porque não há suporte educacional de qualidade no interior do Paraguai para as crianças desenvolverem uma vocação artística, assim como no Brasil. Então, ele teve a ideia de começar a administrar aulas de música gratuitas para as comunidades carentes e, como uma coisa leva a outra, grandes talentos e novas ideias começaram a surgir. A novidade foi o uso de material reciclado na cidade de Cateura, uma das regiões mais carentes do Paraguai. As crianças não têm condição de comprarem seus instrumentos e, por necessidade, usaram aquilo que ninguém mais queria e havia de sobra nos lixões da região: cabos de vassoura, latas de ferro, tampinhas de garrafa e polias viraram violinos e violoncelos nas mãos dos talentosos artesãos.

Hoje, a orquestra conta com mais de 200 obras resgatadas do repertório tradicional e contribui para expandir e valorizar a cultura da região. Os participantes acreditam que a música faz mais do que entreter as pessoas, eles a entendem como uma ferramenta de formar cidadãos. Depois de Szarán, Cateura nunca mais foi a mesma.

Post publicado originalmente no eCycle (via ecodesenvolvimento)