A colaboradora Andrea Gorestein, do site Ser Sustentável com Estilo, fala sobre os benefícios de uma alimentação saudável
Há uma grande discussão entre os profissionais de saúde e nutrição acerca dos benefícios propiciados pelo consumo de produtos orgânicos, e vamos tentar expor os principais pontos dessa controvérsia. Os benefícios mais incontroversos gerados pela agricultura orgânica dizem respeito à redução da poluição dos solos, contaminação de mananciais de água e preservação da biodiversidade, todos severamente afetados pela agricultura tradicional. Pode parecer pouco, mas o impacto da opção pelos orgânicos é tão relevante que é tema de políticas públicas em toda a Europa, como medida de preservação da água doce e da qualidade dos solos agricultáveis.
Os pontos controversos existem, claro, e também pretendemos falar claramente sobre eles:
1) Ausência de comprovação científica dos benefícios derivados do consumo de orgânicos. Embora pareça razoável imaginar que um vegetal cultivado sem adubos químicos ou agrotóxicos seja uma opção mais saudável, nenhum estudo científico conseguiu, até o presente, comprovar essa premissa.
2) Alimentos orgânicos são mais saborosos: mito ou verdade? Outro ponto controverso: embora consumidores preferenciais de orgânicos abordem recorrentemente a questão do sabor, colocando que os produtos da agricultura tradicional não têm o mesmo sabor, vários grandes chefs já se pronunciaram – e realizaram testes cegos! – contrariamente à essa tese. A qualidade da verdura estaria mais ligada ao solo em que foi produzido do que ao tipo de adubamento e defensivos utilizados. Aparentemente, a crença de que o produto é mais saudável interferiria mais na percepção do sabor do que a forma como ele foi cultivado.
3) Qual é a origem desse produto? A questão esbarra numa regulamentação jurídica incompleta, que tem avançado a passos lentos. No Brasil, como nos EUA, é possível rotular virtualmente qualquer produto com uma etiqueta ORGÂNICO, independente do seu conteúdo. Posso vender ácido clorídrico como ORGÂNICO? Pode. E esmalte com formaldeído? Também pode. Nesse aspecto, a regulamentação europeia está anos à frente, e a etiqueta BIO assegura que o produto que você comprou respeita diretrizes rígidas, fiscalizadas por órgãos multilaterais e entidades privadas. A certificação de produtos BIO avança a passos largos em todos os setores, atraindo consumidores que buscam alternativas éticas, mais naturais ou menos agressivas para o ambiente.
Mas e no Brasil, como posso ter segurança de que aquele produto – porque, frequentemente, pagarei mais caro – realmente obedece a diretrizes mínimas de cultivo orgânico?
Bom, não é fácil. Existem selos de certificação – mas o modo mais seguro é buscar sempre adquirir orgânicos mais proximamente do produtor. Conhecer a pessoa e seus valores, ou o grupo a quem ele está vinculado, fornece boas pistas sobre os cuidados com a produção. Essa aproximação têm vários bônus: você recebe frutas e verduras bem mais frescas, menos transportadas, elas durarão mais, o preço costuma ser mais baixo do que nos supermercados – e você ainda remunera melhor o agricultor!
As capitais do país, em regra, têm grupos que estimulam práticas de agricultura sustentável e esse é um meio fácil de buscar uma boa fonte produtora de orgânicos. Os grupos vegetarianos e veganos, em regra, se organizam para apoiar estas iniciativas – ou seja, se você tem uma amiga veggie, ela não deve ter dificuldade em te indicar um local seguro para você adquirir alimentos variados e mais saudáveis. Várias universidades federais e rurais mantém ou estimulam grupos de agricultura familiar orgânica. É excelente poder se engajar nessa cadeia, mesmo que seja apenas como elo consumidor.
Quer cuidar da sua beleza e aumentar a qualidade de vida? Comece pela alimentação!
Post publicado originalmente no site Ser Sustentável com Estilo
Imagem: Faith Goble