Um projeto na cidade de Bogotá, Colômbia, funciona graças a convicção de que a arte também é um meio utilizado para construir uma sociedade com os olhos voltados para os cuidados com o meio ambiente. Conhecida como Fundação Promedio, a organização cria produtos de design, arte e moda sustentáveis com a ajuda de comunidades locais e parcerias com a iniciativa privada.
Para as comunidades locais, a fundação propõe novas opções de trabalho por meio de oficinas e da formação de equipes de produção. Com as empresas, a fundação estabelece aliança e propõe maneiras de reutilizar os resíduos gerados nos processos de produção como uma forma de responsabilidade social.
Entre os projetos da fundação, dois ganharam destaque pela relevância de produção e funcionalidade: os móveis construídos com papelões e as roupas feitas de sacos de polipropileno. Em entrevista ao Projeto Contem, Catalina López, Diretora da Fundação, conta quais são as peças-chave para o funcionamento da instituição.
Quando começou a trabalhar com a reutilização de materiais?
O reúso de materiais sempre foi uma preocupação minha que levou ao desejo de criar a Fundação Promedio. O primeiro projeto, que foi de reaproveitamento de vestuário, nasceu há sete anos e desde então a fundação tem desenvolvido, aperfeiçoado e reformulado cada projeto e melhorado os benefícios de todas as pessoas envolvidas na produção.
Como surgiu a cadeira construída de papelão Re-uso?
A cadeira Re-uso é a evolução de um projeto construído por Samuel Córdoba há dois anos. Desde então, ela foi refinada e tem permitido a descoberta de infinitas possibilidades de design de mobiliário usando resíduos de papelão como matéria-prima. A complexidade de uma cadeira como um objeto permitiu compreender a importância de definir uma estrutura robusta, leve e confortável.


A Fundação tem um espaço pedagógico que se abre para diferentes comunidades promovendo o trabalho alternativo e auto-organização das pessoas.
O espaço pedagógico parece ser essencial na era em que vivemos, onde o conhecimento e a compreensão cresce à medida que nos abrimos a possibilidades de fazer algo participativo e cooperativo. Tentamos estar abertos e flexíveis para diferentes comunidades, para formar equipes e adaptar-se às condições e características de cada um dos lugares que nos convidam.
E como funcionam as oficinas?
As oficinas são oferecidas por nós, mas alguns requisitos são básicos para acontecer: salas iluminadas com mesas de trabalho adequadas e exigimos uma coleção de materiais de reutilização e participantes receptivos a aprender. Não é necessário que sejam profissionais, o mais importante é ser paciente e compreensivo com o trabalho artesanal.
Sobre o projeto de reutilização de roupas. Me conte sobre o desenvolvimento dele.
Para fabricar as roupas, compramos em supermercados e padarias sacos de polipropileno que são então lavados, cortados e costurados de acordo com cada projeto. Uma vez desenvolvido por Rosita e seu grupo de costureiras, distribuímos em diferentes pontos de Bogotá, como fazemos com os móveis de papelão. Nós também fazemos o trabalho comercial a partir do nosso site. O dinheiro arrecadado é distribuído igualmente entre todos os envolvidos na produção e temos um percentual que destinamos para ajudar a manter o grupo de crianças que estudam música infantil em Tumaco.

Quais são os impactos ambientais que vocês reduzem com o trabalho da fundação?
Nós não temos nenhum estudo preciso sobre o impacto ambiental. Por agora o que importa para nós é atuarmos como mediadores de uma mudança de espírito através de nossas próprias ações.
Vocês têm trabalhado em novas ideias sustentáveis?
Há uma pré-produção de Samuel Córdoba e estamos ansiosos para mais novidades em breve. Há um mês, ele lançou uma história infantil com a qual esperamos fazer muitas atividades de leitura e oficinas criativas com crianças de cinco a dez anos. Neste mês, inauguramos uma exposição do da cadeira Re-uso de Samuel Córdoba e partes do meu trabalho Detiqueta. Além disso, várias propostas de projetos de responsabilidade social em parceria com empresas colombianas que esperamos que dê bons frutos.
Por Marina Mantovanini/Projeto Contem
Imagens: Divulgação

13 de junho de 2012