bookshelffarm 3 de abril de 2012

As instalações ôrganicas de Jenna Spevack

A artista centra seus trabalhos na tênue relação entre o homem e o ambiente natural. //Leia Mais

Um misto de designer, artista, advogada e defensora da natureza, a nova-iorquina Jenna Spevack centra seus trabalhos artísticos na tênue relação entre o homem e o ambiente natural. Desde que começou a trabalhar com projetos como The Flood, Deluge e Liminal Equations – todos ligados a discussões socioambientais – emprega sua arte na discussão do uso excessivo dos recursos naturais e as consequências que essa prática tem trazido para o mundo.

Liminal Equations

Deluge

The Flood

Com muitos projetos em andamento, Jenna resolveu ir além de seu trabalho artístico, que sempre incidiu sobre as questões de sustentabilidade por meios de arte mais tradicionais, e iniciou uma série de obras que reúnem as diferentes áreas de sua vida. “Pra mim, interagir com a comunidade local é um dos aspectos mais importantes destes últimos projetos de sustentabilidade”, explica.

Prestes a estrear a exposição “8 Extraordinary Greens” na galeria Mixed Greens em Nova York, no dia 03 de maio, ela nos conta sobre seu trabalho artístico. Confira a entrevista.

Conte um pouco sobre o seu novo projeto.
A exibição de “8 Extraordinary Greens” incluirá uma série de móveis (cadeiras, armários, até mesmo um toca-discos antigo) adaptados a um sistema de irrigação simples e eficiente em termos energéticos, que chamo de microfarms domésticas. É como se esse mobiliário tivesse ganhado um bônus, porque agora também pode produzir alimentos.
Uma pequena farmstand servirá como um espaço para a colheita e venda de oito tipos de verduras.

Como os visitantes interagem com a mostra?
Os visitantes da galeria pode comprar as verduras e determinar o valor monetário da troca, com base em um conjunto de opções que vão apoiar a agricultura urbana sem fins lucrativos. Há a opção de consumir os vegetais ou doá-los para um banco de alimentos local. Essas operações serão registradas em um recibo assinado pelo participante e por mim.

Qual é o argumento é a discussão que você levanta com este projeto?


O objetivo é incentivar os moradores da cidade e os visitantes a pensarem sobre como eles valorizam a sua comida. Esta exploração de valor relativo é demonstrada com a participação das pessoas na mostra. Eles conhecem o agricultor, conferem que o produto é cultivado organicamente e localmente, e sabem que seu dinheiro está indo para as organizações locais sem fins lucrativos. Melhor do que comprar o mesmo produto em um supermercado e colaborar com grandes corporações.

Quais são os benefícios das Microfarms?
Eu desenvolvi a Microfarm para o morador da cidade. O sistema de subirrigação torna fácil para qualquer um plantar uma verdura em sua estante ou em seu sofá.
O objetivo é demonstrar que o alimento pode crescer, sem ser uma tarefa demorada.
O benefício de sua comida ser plantada em casa é o de consumir produtos que são cultivados localmente, desviando o dinheiro para longe do agronegócio e de grandes empresas petroquímicas, além de contribuir para um ecossistema mais resistente. Se escolher doar um pouco do seu alimento para seus vizinhos ou para um banco de alimentos local, cria-se uma comunidade mais forte.
 Espero mostrar que qualquer pessoa pode cultivar seu próprio alimento e que os membros de uma comunidade diversificada, com interesses e valores comuns podem colaborar e apoiar o objetivo coletivo de um futuro saudável e sustentável.

Quais são os materiais que você está usando para criá-las?


Os materiais utilizados na mostra incluem móveis restaurados como armários, mesas, escrivaninhas, cadeiras. Luzes de potência muito baixa fluorescentes, sementes e terra doadas. 
Além de bandejas de restaurantes que foram convertidas com corda de cânhamo em um sistema de plantio subirrigado.

Há uma linha muito tênue para o seu projeto ser considerado arte e não design. O que o caracteriza como arte?


Se esta mostra fosse simplesmente uma exposição de agricultores, então poderia ser considerada apenas um projeto, mas é mais do que isso.
Eu acho que o trabalho de um artista é o de inspirar os visitantes a pensarem diferentemente sobre algo que eles têm dado como certo ou nunca pararam para pensar. Meu objetivo é facilitar as conversas sobre o que nós valorizamos e espero encorajar os espectadores a pensarem como eles valorizam a comida, os vizinhos, a justiça alimentar e a utilização e reutilização de produtos. Além disso, as microfarms domésticas também são esculturas, em vez de apenas objetos mobiliários. Quero criar uma ponte entre os mundos diferentes como arte, design, agricultura urbana, permacultura e educação.

Em paralelo, você tem realizado o “Birds of Brooklyn”. Qual é a proposta da obra?
Ela é baseada na comunidade de áudio e traz os sons de pássaros deslocados e em perigo que vivem no Brooklyn e ao redor do bairro para os moradores. Este projeto de arte de áudio pretende reconectar as pessoas da cidade com os sons naturais da região e aumentar a conscientização sobre as populações de aves em declínio nos ambientes urbano. São mais de vinte sons diferentes que os pedestres e moradores da região escutam quando espalhamos os áudios gravados.

Você está usando o kickstarter para financiar a exposição “8 Extraordinary Greens”. Como associa esse tipo de captação financeira com as práticas sustentáveis e sociais?
O projeto conta com Kickstarter e também doações de sementes, luzes e mobiliário. Eu não usaria normalmente o Kickstarter para um projeto de arte (e nunca tinha feito antes), mas dado que o projeto é sobre a doação e a exploração desse tema, me pareceu oportuno. Acredito que crowdsourcing é uma ótima maneira de construir uma comunidade em torno de uma boa ideia e desenvolvê-la em sua plenitude. Eu sinto que este tipo de angariação de fundos é mais ético do que outros. 
É importante encontrar formas de contornar tradicionais sistemas econômicos ou empresas que possam causar danos.

Por Marina Mantovanini (Projeto Contem)
Imagens: Divulgação