859312046_c8675e05a6_z 10 de janeiro de 2013

Arquiteto fala sobre ecovilas e soluções para viver bem

As soluções estão à disposição seja ela com auto pesquisa (referências bibliográficas ou virtuais) ou no serviço de pessoas qualificadas para auxiliar nessas mudanças que têm que ser pessoal para ser coletiva //Leia Mais

Henrique Pinheiro é arquiteto especializado em bioconstrução e permacultura, que pode ser entendida como uma “metodologia de design” para que as pessoas vivam de modo sustentável. Nesta entrevista, ele fala sobre ecovilas e a necessidade de mudanças em nosso comportamento.

As cidades estão passando por um esgotamento do seu modo de vida e muitos estão buscando alternativas de uma vida mais saudável, enquanto outros, aprofundam esta busca através de modelos como as Ecovilas, que pressupõe um estilo de vida sustentável, incluindo diferentes práticas sociais, culturais e econômicas. Como você observa este movimento?

Este é o caminho, a tendência e a necessidade atual e futura. Ninguém sabe quando vai ser e como vai ser esse “crash”, ou será que ele já não está acontecendo? Cada vez mais o foco está voltado para a ecologia, o meio ambiente e a forma de vida sustentável, mas isso está virando uma cadeia de conceitos vendáveis e rentáveis, e isso mais uma vez pode ser um grande problema futuro. Precisamos mais do que morar em empreendimentos que coletem água da chuva, armazenam, reutilizam e tornam a tratá-la e a reutilizá-la de novo em forma de irrigação ou outro tipo de re-uso, onde parte dessa água será evaporada, a outra parte infiltrará no lençol freático e que mais tarde será absorvida pelas plantas e “evapotranspirada” e algumas horas ou dias se tornará uma chuva que iniciará todo o ciclo novamente, ou outras premissas como esta para ter um empreendimento verde. O movimento é no modo de vida (consumo!) e não necessariamente em um movimento de imigração para outro local (espaço). Chegamos até aqui, a nossa história é recente, pegue uma foto da Avenida Paulista em São Paulo do ano de 1900 e veja uma recente 2012, é muito pouco tempo para virar o que virou, o modelo de ocupação está errado e continuamos a ir para o mesmo caminho, as nossas necessidades são cada vez maiores e descartáveis até sair o próximo modelo. A coisa não tem fórmula e principalmente: não tem receita! Mas é possível estar em harmonia com o meio fazendo mudanças pessoais e materiais antes de iniciar uma mudança sem talvez ainda estar preparado para esse novo estilo de vida.

Acha possível que as ecovilas sejam uma solução viável mesmo para os grandes centros urbanos, e possam ser uma possibilidade para aqueles que não querem participar de um certo êxodo rural que estamos começando a observar?

Com certeza é possível e viável viver de uma forma mais conectada e harmoniosa em um centro urbano. Hoje existe um conceito diferente do que o de um empreendimento dado como ecovila, pois talvez não tenha espaço para produzir o seu alimento, mas você pode ter um vizinho do seu condomínio vertical ou horizontal, da sua casa e que tenha um sítio a 40 km dali e ele vai todo final da semana com a família descansar, e nesse local você pode, por exemplo, compartilhar uma mão de obra local (fator social) para produzir verduras e legumes de forma saudável (fator ambiental) e segura nesse sítio, podendo virar até um modelo de negócio a ser explorado, dependendo da escala (fator econômico). É totalmente viável e aconselhável que as pessoas pratiquem mais o lado social, ambiental e econômico localmente, sem precisar sair de onde está. As soluções estão à disposição seja ela com auto pesquisa (referências bibliográficas ou virtuais) ou no serviço de pessoas qualificadas para auxiliar nessas mudanças que têm que ser pessoal para ser coletiva.

Poderia dizer quais são os aspectos positivos e negativos das ecovilas?

Os aspectos positivos e negativos são os mesmos de se morar em uma cidade, condomínio, quarteirão (casa) ou prédio. Temos que mudar a nossa postura e agir para transformar o rumo que as coisas estão tomando, pois se tivermos essa re-conexão com o planeta Terra, tanto faz onde estaremos ocupando, porque tudo estará equilibrado e com os ciclos restabelecidos. Só teríamos aspectos positivos, é simples assim e tão verdadeiro quanto!

Por Ricardo Oliveros

É arquiteto por formação, jornalista por ocasião, curador por exposição, performer por paixão e acredita desde os 10 anos que pode mudar o mundo.

Imagem: kate e. did

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